domingo, 14 de agosto de 2011

Eis a Televisão - TCC (parte 2)

·         A TELEVISÃO NO BRASIL

Chateaubrian, foi o introdutor da televisão no Brasil, visitou os Estados Unidos e conheceu a televisão, uma vez que já dominava os meios de comunicação no País através do rádio e jornais. Ao chegar dos Estados Unidos reuniu um grupo de industriais e anunciou a importação da televisão quando a guerra acabasse apresentando-a como instrumento de poder.
Assis chateaubrian fechou um contrato de cinco milhões de dólares com a RCA, No início de 1944, comprando 30 toneladas de equipamentos. Em fevereiro daquele ano colocou em obras a rádio Difusão de São Paulo, onde iria funcionar o primeiro canal brasileiro de televisão.
Um fato interessante aconteceu ás véspera da inauguração da TV Tupi de São Paulo, Assis Chateaubrian, informado de que não havia o básico, Istoé, os receptores patrocinou o contrabando de 200 aparelhos dos Estados Unidos e deu de presente um aparelho a Eurico Gaspar Dutra, que virou peça decorativa no gabinete presidencial até a inauguração da Tupi do Rio de Janeiro, um ano depois, parte dos aparelhos foi presenteada parte  foi colocados à venda nas lojas e alguns foram instalados em pontos estratégicos da cidade para que o povo apreciasse a grande novidade.
Assis Chateaubrian numa cerimônia que se tornaria exempar dos    tempos heróicos da televisão, inaugurou em 18 de setembro de 1950, no discurso classificou a televisão como o mais subversivo de todos os veículos de comunicação do século, inaugurava-se junto com a televisão brasileira o paradigma do improviso e da criatividade, isto é, o jeitinho brasileiro. Essa marca de origem permanece até hoje, mesmo quando não existe mais as dificuldade extremas dos velhos tempos. Dificuldade, improviso e criatividade permanecem as palavras-chaves da televisão.
A evolução da televisão brasileira se divide em duas principais fases. A primeira vai do surgimento da televisão até 1964, que é a fase dos associados, a segunda, de 1964, em diante, é a fase da Rede Globo. Na primeira, a televisão estava confinada praticamente aos limites da sede, com produção e exibição marcadamente regionais. O típico capitão de indústria, chateaubrian, administra ao velho estilo empresarial, com capital nacional, a sombra do governo populista.
Na segunda, o capital estrangeiro se integra á indústria da informação e traz padrões modernos de administração, produção e programação, implantados por executivos que profissionalizam as empresas. Consolida-se o mercado de bens culturais, Rio e São Paulo se afirmam como centros hegemônicos da indústria cultural nacional. A televisão se caracteriza como veículo de massa, as redes nacionais se tornam possível pelas ações dos governos militares na área da comunicação
No primeiro momento a expansão da televisão é lenta, inclusive porque não havia uma indústria nacional da componente técnicos, o receptor era muito caro, inacessível para a maioria da população, mas, na segunda  metade dos anos  50, instalou-se ,irreversivelmente, a tendência de reduzir a verba  publicitária no rádio e aumentar a publicação na TV . Isso aconteceu em paralelo com uma grande abertura ao capital externo nos setores produtivos de bens de consumo duráveis principalmente automóveis e eletrodomésticos inclusive aparelho de televisão.
Nos anos JK, como ficou conhecido o período do presidente Juscelino Kubtschek (1956 – 1960), o país vive o desenvolvimento e a expectativa do grande salto de “50 anos em cinco”. O Brasil conquistou a copa do mundo em 1958, com uma seleção de sonhos, surge a bossa nova e o cinema novo , em 1960, ainda havia apenas um milhão de televisores em todo o país, contra seis milhões de rádios, mas a televisão já estava sendo introduzida  na sala, no novo ritual que reunia a família em torno da imagem, a televisão e o automóvel eram os principais símbolos da modernidade.
As primeiras emissoras fora do Rio e São Paulo começaram a ser            implantadas somente a partir de 1959, quando Chateaubrian fez uma ciranda de inaugurações do sul ao nordeste, na fase áurea, os Diários Associados, chegaram a ter 18 canais de televisão (que se somam 36 emissoras de rádios e 34 jornais). Pode parecer irrisório hoje, quando se pensa nas dimensões de uma rede como a globo, mas era uma concentração de meios de comunicação jamais vista no país, embora já se usasse o termo rede naquele momento, as  emissoras estaduais regionais ainda produziam o próprio conteúdo, pelas dificuldades de comunicação e pela inexistência do videoteipe.
O videoteipe começa a ser usado no Brasil em 1960, com ele surge as centrais de produções de programas no Rio de Janeiro e posteriormente, em São Paulo, essa máquina usada para gravar magneticamente áudio, surgiu da necessidade de ajuste de grade de programação das emissoras norte-americanas para permitir a criação de redes nacionais, mesmo com fusos horários diferentes, o videoteipe permitia que um mesmo programa fosse visto num horário determinado, porque cada estação recebia uma fita com a copia da programação.
A primeira demonstração do videoteipe no Brasil aconteceu em dezembro de 1959, num show da televisão continental, o espetáculo entrou no ar ás 21h, mostrando o relógio de pulso do apresentador, que marcava 15h, a estréia oficial foi na inauguração de Brasília 21 de abril de 1960, que a televisão Rio e a televisão Tupi, numa complicada operação de transporte de fita e de sinais, conseguiram mostrar para cariocas e paulistas.
A partir daí decresceu gradativamente a produção local, inclusive porque o advento do videoteipe coincidia com a chegada dos “enlatados”, séries, desenhos e filmes, a maioria norte-americana, tecnicamente melhor do que o produto nacional, invadindo as telinhas brasileiras numa velocidade esmagadora.
      “Quero uma TV no Pará, os associados tem que ser mais uma vez        pioneiro” (Charteaubrian-apud Waterioo – 2002 p88)

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